Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Por Redação Rádio Pampa | 26 de fevereiro de 2025
Nísia Trindade é a terceira mulher a deixar a Esplanada dos Ministérios, reduzindo a presença feminina na equipe a nove ministras. Antes dela foram Ana Moser (Esporte) e Daniela Carneiro (Turismo). Todas foram substituídas por homens. Em 2023, o presidente Lula também demitiu a então presidente da Caixa Econômica Federal Maria Rita Serrano, entregando a direção do banco para um aliado do Centrão.
O Centrão reivindicava a Saúde, mas, para comandar a pasta considerada estratégica e com orçamento de R$ 239,7 bilhões, Lula escolheu o petista Alexandre Padilha.
Ao deslocar Padilha, que cuidava da articulação política do governo, Lula abre espaço para uma nova troca justamente na área que trata da difícil relação do Palácio do Planalto com o Congresso, agravada por causa do impasse em torno das emendas parlamentares.
O mais cotado para a cadeira ocupada pelo ministro é o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE). Caso a ida de Guimarães para o núcleo duro do governo se confirme, a chamada “cozinha do Planalto” continuará nas mãos do PT.
A não ser que haja uma mudança de última hora, a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, deve comandar a Secretaria-Geral da Presidência. No Planalto, o único ministro não filiado ao PT é o publicitário Sidônio Palmeira, que em 2022 foi marqueteiro da campanha de Lula e desde janeiro está à frente da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência.
A demissão de Nísia já era esperada e ocorre após semanas de “fritura” no cargo. Sem novas marcas em seu terceiro mandato, Lula queria que ela acelerasse o programa Mais Acesso a Especialistas, que foi lançado em abril do ano passado, mas ainda não chegou a todas as regiões do País. Agora, até mesmo o nome do programa, considerado burocrático e sem apelo popular, vai mudar.
Médico infectologista, Padilha já foi ministro da Saúde no governo de Dilma Rousseff, de 2011 a 2014, e é deputado federal licenciado. Ele se comprometeu com Lula a não deixar o governo no fim de março do ano que vem para disputar nova eleição à Câmara. Este é o prazo dado pela Justiça Eleitoral para que ocupantes de cargos públicos entreguem seus postos.
No ano passado, Padilha chegou a ter duros embates com o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que o chamou de “incompetente”. Mesmo com a eleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para o comando da Câmara, Lula avaliava que era preciso trocar o interlocutor político com o Congresso porque Padilha estava desgastado na função.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) informou que a posse de Padilha ocorrerá no dia 6 de março. “O presidente agradeceu à ministra pelo trabalho e dedicação à frente do ministério”, destacou o comunicado.
Nas redes sociais, Padilha disse ter “profunda admiração e carinho” por Nísia, a quem chamou de “amiga”. Ex-presidente da Fiocruz, ela não é filiada ao PT, mas próxima do partido, e foi indicada por Padilha para o cargo.
“Símbolo de compromisso e seriedade à frente da Fiocruz e do Ministério da Saúde, Nísia deixa um legado de reconstrução do SUS, após anos de gestões negacionistas, que nos custaram centenas de milhares de vidas”, escreveu o novo titular da Saúde numa referência governo de Jair Bolsonaro. Na postagem, Padilha agradeceu até mesmo o desafeto Arthur Lira. (Estadão Conteúdo)