Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025
Por Redação Rádio Pampa | 26 de fevereiro de 2025
Pela primeira vez, os deputados e senadores da bancada evangélica escolheram seu líder, Gilberto Nascimento (PSD-SP), que tinha o apoio do bolsonarismo e derrotou Otoni de Paula (MDB-RJ), mais próximo ao governo federal. Apesar da ampla vantagem de Nascimento, que recebeu 117 votos contra 61 de Otoni, os bastidores foram marcados por altas temperaturas e falta de consenso.
Prevista para às 17h, a votação começou com uma hora de atraso, por volta das 18h. O motivo foi uma reunião a portas fechadas, onde demorou a haver um consenso de como ocorreria a votação.
O modelo eletrônico estabelecido anteriormente foi questionado por Otoni e pelo atual dirigente da bancada, Silas Câmara (Republicanos-AM), que dava apoio a sua candidatura. Os dois pleitearam as cédulas impressas.
A bancada rachou até nisso, uma vez que os outros dois candidatos colocados, Nascimento e Greyce Elias (Avante-MG), queriam as cabines eletrônicas, mas terminaram vencidos.
Nesta mesma reunião, Greyce e Nascimento entraram numa “sala secreta” para discutir a possibilidade de um consenso, quando a deputada decidiu desistir. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o deputado Marco Feliciano (PL-SP) participaram desta conversa, mas Otoni foi excluído.
Greyce abriu mão da candidatura após uma intervenção do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que apoiava Nascimento, e ligou para o líder de sua igreja, o bispo Rodovalho, da Sara Nossa Terra.
“Entrei em campo hoje (terça-feira) para derrotar ele (Otoni). Muita folga dizer que seria o segundo a derrotar Bolsonaro. Ele não tem cacife para isso”, afirmou Malafaia, em referência a uma aspa dada por Otoni ao jornal O Globo, quando ironizou o apoio de Bolsonaro ao rival.
Além de Malafaia, Nascimento conquistou o apoio pessoal de Jair Bolsonaro. O ex-presidente orientou a bancada do PL a votar em Nascimento. Apesar dos acenos, ele rejeita o rótulo de bolsonarista e se diz um “homem do diálogo”.
Após ser derrotado, Otoni agradeceu os 34% dos votos e fez críticas a Bolsonaro, a quem responsabilizou pela sua derrota. O parlamentar disse que o resultado foi um reflexo da influência e do temor causado pelo ex-presidente.
Otoni, por sua vez, reuniu os apoios de caciques da bancada, como o agora ex-presidente Silas Câmara e Cezinha de Madureira (PSD-SP), além de partidos como Republicanos, União Brasil e PT.
A votação ocorreu entre 18h e 20h. Na última meia hora, os apoiadores dos dois lados ligavam aos parlamentares retardatários, com o intuito de ampliar a chance de vitória.
Como resultado dessa articulação, o quórum esperado, de 70 parlamentares, foi superado com 183 votantes. A grande surpresa foi o número de senadores presentes, usualmente menos envolvidos na frente por terem uma bancada separada, presidida por Carlos Viana (Podemos-MG).
Mal-estar
Antes mesmo da votação começar, os vídeos pedindo voto gerou certo mal-estar. No WhatsApp, Otoni e Nascimento enviaram suas gravações.
O emebista citou a necessidade de articulação com o governo, o que irritou seus colegas.
“(Precisamos) abrir um canal de diálogo com o governo, para que os objetivos políticos dos membros da bancada sejam atendidos, com o objetivo de fortalecer nossa atuação política nas próximas eleições. Esse diálogo em nada impede de mantermos os mesmos princípios e valores. São diálogos políticos”, disse Otoni na mensagem.
Uma lista referente à bancada do Republicanos também provocou críticas internas. Os 42 deputados e dois senadores do partido que integram a Frente parlamentar teriam sido convidados a assinar um documento em apoio a Otoni, medida interpretada como uma forma de pressão.
Parlamentares ouvidos pela reportagem criticaram o conteúdo do vídeo, classificando-o como uma “afronta final”. Nos bastidores, a disputa foi apelidada de “guerra santa” em tom de brincadeira, em referência à divisão do grupo. (O Globo)