Terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Tarcísio diz que denúncia contra Bolsonaro por tentativa de golpe “não faz sentido”

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) por tentativa de golpe do ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas “não faz sentido nenhum”.

“É uma questão de revanchismo, uma forçação de barra”, disse o republicano em agenda no município de Mogi das Cruzes (SP). Tarcísio é aliado de Bolsonaro, foi ministro de governo e se elegeu governador com o apoio do ex-presidente.

“Deixe as paixões de lado, desconsidere o fato de você gostar ou não da pessoa. Vamos para as evidências. Nada do que é apresentado mostra alguma conexão ou relação”, continuou Tarcísio. “Está se criando uma maneira de se responsabilizar pessoas que não têm responsabilidade.”

O chefe do Executivo paulista também afirmou que não há nada de “responsabilidade objetiva” nos áudios de integrantes das Forças Armadas. As mensagens sonoras obtidas pela Polícia Federal (PF) e exibidas pela TV Globo no último domingo (23), mostram discussões de militares de alta patente acerca da tentativa de golpe de Estado.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, analisou as provas reunidas pela PF durante três meses e concluiu que Bolsonaro não apenas tinha conhecimento do plano golpista, como também liderou as articulações. Em caso de condenação, o ex-presidente pode ter que cumprir até 28 anos de prisão.

Entre os denunciados estão o ex-candidato a vice-presidente na chapa bolsonarista Walter Souza Braga Netto, já preso, e o ex-diretor geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal, Alexandre Ramagem.

A defesa de Braga Netto pediu ao Supremo que o ministro Alexandre de Moraes deixe a relatoria da denúncia sobre a trama golpista por suspeição, ou seja, uma suspeita de parcialidade da parte do magistrado. Os advogados reforçam que, por mais que o ministro não seja uma vítima no caso, as acusações da PGR e da PF correlacionam a tentativa de insurreição com um plano para matar Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Dessa forma, a defesa do ex-ministro deseja um novo relator no caso. A princípio, cabe a Moraes analisar a validade da denúncia oferecida pela PGR e ouvir os advogados de todos os denunciados.

Depois, ele decidirá se o caso está pronto para julgamento e agendará a análise na Primeira Turma do STF, composta também pelos ministros Cristiano Zanin, que preside a turma; Cármen Lúcia; Luiz Fux e Flávio Dino.

Já a defesa de Jair Bolsonaro antecipou que pedirá a suspeição dos ministros Zanin e Dino na denúncia do golpe. Isso porque Zanin era advogado pessoal de Lula e Dino participou do novo governo petista como ministro da Justiça e Segurança Pública. Os dois foram recomendados ao STF pelo atual chefe do Executivo.

A intenção do presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, é manter Zanin e Dino aptos para julgar o caso. Braga Netto, Bolsonaro e outras 32 pessoas foram alvo de denúncia da PGR por participação em uma tentativa de golpe, após a eleição de Lula, em 2022.

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